Linha Imaginária


SOL A PINO

Quando eu crescer quero ser árvore

 

Não dessas que dão flores perfumadas

Nem dessas que dão frutos saborosos

Nem dessas que enfeitam as janelas

Das grandes salas acinzentadas.

 

Quero ser uma árvore bem grande

Que projete uma sombra bem grande

Que abrigue esses homens pequenos

Cabeças e ombros tostados de sol

 

Mas que abrigue também

Os grandes homens

Que há tempos não sabem

Da alegria de encontrar uma sombra

 

Nestes tempos, em que o sol anda a pino



Escrito por nydiabonetti às 15h39
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MEU NOVO VELHO ESPAÇO

 

LONGITUDES



Escrito por nydiabonetti às 22h27
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ARRE!

Imagem: Cora Coralina

estou farta de semideuses*

ando em busca de poesias

e seus simples poetas

meninas

e meninos

passarinhos

novas

Coras Coralinas

novos

Quintanas

outros

Antunes

onde se escondem?


* Poema em Linha Reta_ Álvaro de Campos_Fernando Pessoa



Escrito por nydiabonetti às 19h02
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ELEFANTES AZUIS

 

O tempo não para

Mesmo

Ele não tem mais jeito

Desandou a correr

Ultimamente

Desembestou

 

__Estouro de boiada

Manada

De elefantes azuis

 

Lava de vulcão

Corredeira

Maremoto

Cachoeira

Avalanche

Cordilheira

 

__Desertos

 

Nós

Surfistas

Sobre ondas instáveis

Cabelo parafina

Olhos vermelhos

Areia e sal

 

__Pele dourada

Sob o sol

Que agoniza

 

Nós

Turistas

Num safári no Quênia

Sobrevoando baixo

Sobre a boca vermelha

De algum vulcão

 

__Escalando Everests

Enfrentando Saaras

Tempestades de areia

 

__Insolação

 

Ao longe a vida

Miragem

 

__Oásis onde?



Escrito por nydiabonetti às 22h18
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OS CÃES OS GATOS NÓS

Noite

Gatos e cães

Povoam minha rua

Gritos e uivos

Miados e latidos

Atávicos combates

Sons ancestrais

Gato no telhado

Cão no quintal

Porque a lua é cheia

Luz branca a incitar

Duelos e amores

Mil vezes repetidos

Os cães os gatos nós

Na janela da insônia

Tentando desvendar

Milenares segredos

Como tantos  agora

Os que vieram antes

os que virão depois

Enquanto houver a lua

Telhados e quintais

Olhares e janelas

Os cães, os gatos, nós

 



Escrito por nydiabonetti às 12h24
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FAGULHAS

Sonhos

são apenas fagulhas.

Mal iluminam a noite

e logo são tragados

pela escuridão.

 

Ainda assim

manter aceso

é preciso

o fogo sagrado

das esperanças

 

Que tão breve ilumina

aquece e incendeia

as noites imensas

dos humanos viveres.



Escrito por nydiabonetti às 18h54
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SANGÜíNEO

entalha

o cinzel das inquietações

__faca

na carne frágil

e sangra

 

mergulha

o pincel das emoções

__pena

no vermelho sanguíneo

e emerge

 

sedenta

a folha branca

__seca

pelo traço vermelho

implora

 

transmuta

o fluído viscoso

__tinto

e ao tocar no papel

torna-se negro

 

jorrando

ainda quente

__ferve

e em versos líquidos

escorre



Escrito por nydiabonetti às 00h49
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BALAIO DE FLORES

 

Foto_Balaio de Flores_Kais Ismail

 

De tempos em tempos

 

Preciso

Falar das flores...

 

Quando tudo pesa

Tudo vira breu

Quando chove

 

Preciso

Falar das flores...

 

Quando a dor se instala

Tudo fica cinza

Tudo fica estranho

 

Preciso

Falar das flores...

 

Quando os olhos embaçam

E as cores se apagam

Quando sinto medo

 

Preciso

Falar das flores...

 

Quando o vazio invade

E a escuridão devora

Tudo perde o brilho

 

Preciso

Falar das flores...

 

Quando a saudade aperta

E o passado chama

Quando a menina chora

 

Preciso

Falar das flores...

 

Quando não vejo o futuro

Quando não há esperança

E no presente há nada

 

Preciso

Falar das flores...

 

Quando os amores idos

Voltam feito fantasmas

A me assombrar na noite

 

Preciso

Falar das flores...

 

Quando as injustiças

Parecem vencedoras

E o preconceito

Mostra suas garras

 

Preciso

Falar das flores...

 

Hoje

Uma só flor

Não basta

 

Preciso

De um balaio de flores...

 



Escrito por nydiabonetti às 18h18
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AMORAS RUBRAS

Amoras rubras,

pendem para o rio.

Águas vermelhas.

 

Os lírios brancos,

imploram pelas águas.

Levam perfumes.

 

Os pés de paina,

floresceram de noite.

O rio nem sabe.

 

E nós crianças,

pés pequenos nas águas,

que já passaram.

 

Também passaram

nuvens, borboletas,

tudo tão breve.

 

Passou o tempo

de comer amoras,

de colher os lírios.

 

Passou o tempo

de soprar as painas,

caçar borboletas.

 

Passou o tempo

de olhar as nuvens,

de brincas nas águas.

 

Passou o tempo...

 

E o rio nem sabe.



Escrito por nydiabonetti às 21h42
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VORAZ

Voraz

O relógio da sala

Continua

Devorando as horas

 

Selvagem

Devorou gerações

E segue

Devastando o presente

Engolindo sonhos

Triturando vidas

Não perdoa ninguém

Não poupa nada

 

Sempre no mesmo ritmo

Sempre preciso

Sempre cruel

Sempre frio

Sempre...

 

Engoliu a infância

Tragou a juventude

Corroeu prateleiras

Amarelou os livros

Desbotou fotografias

 

Estraçalhou vidraças

Apodreceu os forros

Descascou os muros

Lambeu as tintas

Mastigou tijolos

Vomitou poeira

Esvaziou a casa

Fechou portas

E janelas

 

Depois

Passeou sobre a casa vazia

Entrou em cada quarto

Em cada fresta

Devorando baratas

E teias de aranha

 

Então

Derrubou as paredes

E engoliu tudo

Até não restar nada

 

Por fim, bateu uma hora

 

É hora de ir embora

Devorar outras vidas.

 



Escrito por nydiabonetti às 21h38
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TERRA TEIA AZUL

Visto da terra, o céu é azul.
Vista do céu, a terra é azul.
Será o azul uma cor em si
ou uma questão de distância?
Ou uma questão de nostalgia?
O inatingível é sempre azul.

Clarice Lispector


"[...] Isto sabemos: a Terra não pertence ao homem; o homem pertence à Terra. Isto sabemos.

Tudo está ligado, como o sangue que une uma família. Tudo o que acontece à Terra, acontecerá aos filhos da Terra.

O homem não tece a rede da vida, ele é um dos seus fios. Aquilo que ele fizer à rede da vida, ele o faz a si próprio."

Publicação da Comissão Nacional do Ambiente



Escrito por nydiabonetti às 00h00
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RETALHADO SENTIR

 

torna-se negro

o vermelho dourado

envelheço...

 

tentam ainda

empoeirados olhos

olhar estrelas

 

pesados

de tristeza e cansaço

cedem

 

o silencio

o tempo amargo

tudo

 

transborda

do meu peito aberto

e sangra

 

ah... dor

pesa

retalhado sentir...

 



Escrito por nydiabonetti às 22h17
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OUTRO PÁSSARO

não posso

imaginar o tom

da minha voz

 

nem sei

se  ainda tenho voz

 

já não sei mais

definir as cores

das minhas asas

 

também nem sei

se ainda tenho asas

 

só sei que vôo

e canto

 

isto me basta

e pronto



Escrito por nydiabonetti às 11h26
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LUZ DE DENTRO

 

penso

que meu tempo acabou

sinto-me velha

já não sou

 

basta que sopre

um cisco de esperança

outra vez renasço

sinto-me quase criança

 

amálgamas somos

do que já fomos

do que julgamos ser

do que seremos

 

frágeis mosaicos

incompletos vitrais

a refletir uma luz

vinda de dentro

de um templo

que se desfaz



Escrito por nydiabonetti às 23h28
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CAMINHO

meus versos são

minha pátria

na linguagem do chão

caminho e vivo.



Escrito por nydiabonetti às 23h08
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